Encontro aborda os desafios da educação na atual conjuntura e o papel do assistente social na assistência estudantil

por: Vanessa Scaquete Cáceres
27 Julho 2017

Encontro aborda os desafios da educação na atual conjuntura e o papel do assistente social na assistência estudantil (foto: Vanessa Scaquete/ CRESS-MS)

Profissionais e estudantes de Serviço Social participaram hoje (27) do Encontro Regional de Serviço Social e Assistência Estudantil, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). O objetivo do evento é levantar informações sobre o trabalho do assistente social nessa área, a fim de subsidiar a construção e possibilitar melhor orientação profissional.
 
O tema principal do encontro “Educação, Assistência Estudantil e Serviço Social”, foi apresentado, durante a manhã, por três palestrantes. No período da tarde, houve a divisão dos participantes em quatro grupos para discutir entre si e apresentar  suas conclusões da temática.  
 
O sistema educacional na atual conjuntura
Um dos palestrantes, Paulo Cesar Duarte Paes, que é doutor em educação, pós-doutor em Serviço Social e professor de Artes da UFMS, durante sua apresentação, fez um panorama da política educacional que está se organizando hoje no Brasil. “Essa política faz com que a população pobre não tenha acesso ao conhecimento universal, ficando a um conhecimento mais ligado à profissionalização, a um conhecimento mais técnico e menos universalizante, o que fragiliza a sociedade no sentido de lutar e até compreender a realidade social e poder lutar pelos seus direitos. Então, na realidade, trata-se de uma política de afastamento da grande maioria do povo, do saber universal para um processo de dominação sobre essas pessoas”. 
 
Em relação à assistência estudantil e o Serviço Social, Paulo Duarte aponta para a importância da profissão nos setores mais vulneráveis.  “Na assistência estudantil o foco principal é o aluno que vive em uma situação de pobreza. Toda essa população, de alguma forma, está sendo aleijada nesse processo. Então, é importante que o assistente social compreenda isso pra poder ter defesas e não reproduzir o senso comum”. 
 
 
Prof. doutor Paulo Cesar Duarte (foto: Vanessa Scaquete/CRESS-MS)

 

Pnaes
 
Segundo a conselheira do CFESS e palestrante, Francieli Borsato, a educação vem ao encontro do Serviço Social e é inerente à profissão desde seu nascimento. “A assistência estudantil na educação superior ganhou mais relevância desde 2008, quando houve a regulamentação do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), que demandou trabalho do assistente social. Portanto, há uma conjuntura que coloca a necessidade dessa discussão para o trabalho profissional”. 
 
O Pnaes apóia a permanência de estudantes de baixa renda matriculados em cursos de graduação presencial das instituições federais de ensino superior (Ifes). O objetivo é viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos os estudantes e contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico, a partir de medidas que buscam combater situações de repetência e evasão (Ministério da Educação).
 
Conselheira do CFESS, Francieli Borsato (foto: Vanessa Scaquete/CRESS-MS)
 
 
Desafios da atuação profissional na assistência estudantil na perspectiva do projeto ético-político
Já a palestrante, representante da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABPEPSS), Olegna Guedes, abordou a importância de se construir uma profissão técnico-interventiva, consolidada com sua direção política, para que não se transforme em um trabalho técnico. “A nossa competência profissional tá no compromisso com a ampliação do direito dos usuários na perspectiva emancipatório, e isso não podemos perder de vista, caso contrário não precisa ser assistente social”.
 
Olegna ainda ressalta: “não só quem trabalha na assistência estudantil, mas qualquer outro mercado impõe necessariamente a conjugação entre as três instâncias da nossa formação profissional, que é a relação entre o técnico-operativo, o ético-político e o teórico-metodológico, porque às vezes o cotidiano profissional tem de a impor a esfera interventiva como prioritário, que é importante, mas considerando que ela não é sinônimo de técnico-operativo, e sim a síntese entre projeto ético-político e dimensão teórico-metodológico”.
 
 
Representante da ABEPSS, Olegna Guedes (Vanessa Scaquete/CRESS-MS)

 

 
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Assessoria de Comunicação
Vanessa Scaquete- Jornalista
DRT- 1179/MS